sexta-feira, 30 de junho de 2017

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Carrie Graber


Era uma vez uma vez para tudo a cada segundo em contagem regressiva 
para o encontro do desencontro entre nós e a morte, o sopro da vida exalando-se n’um suspiro que passa pelos sentidos, como quem passa por um longo corredor e a cada cômodo apaga uma luz e definitivamente fecha a porta. 

Desencontramo-nos da morte no exato momento do encontro, reconhecê-la seria um disparate, para os outros a morte usa uma situação como disfarce, mas essa compreensão cria impasse..., não obstante, a morte quando nos encontra é a nossa própria face.




terça-feira, 20 de junho de 2017




Eles disseram, Rômulo... das coisas que tivermos de viver para despertar as misérias de nossa alma, viveremos até vivê-las. 

Você percebe, Rômulo? 

Todos aqueles que passaram pela verdade foram estilhaçados, porque seus pedaços precisaram ser espalhados em todas as épocas e em todos os reinos.

Na verdade, não há quem nos compreenda  

as palavras são pontes para que os outros possam  passear em nós de acordo com o que eles são 

Sou descompassada, Rômulo, e não pertenço ao seu mundo

minha alma não digere a sua e meu monólogo não te alcança meu olhar é para dentro quando olhar para fora cessa respiração, posto que em minha garganta o grito não jorra mais por esperança 

Sim, eu paro por aqui em vários aspectos,

 não passarei para frente a codificação das bases nitrogenadas
Vivemos, todavia a vanidade não apresenta sentido 
Não encontro o amanhã no hoje e o ontem não está mais em nada 

colapso Supernova II eu me absorvi







segunda-feira, 21 de novembro de 2016

PX



Nada me custa,  nesse caso por pouco:  deixo o campo, abandono a batalha sem culpa. 

A covardia está em não manter a palavra onde, não necessariamente, tivesse que ser dito para que estivesse.

Nada para ser escolhido, questionado ou pedido, salvo o verbo que toma vida por meio da carne de cada um, por si. 

Por isso, mais vale não ir contra e nem a favor.
Por isso, mais vale o silêncio que indiferentemente cede espaço aos zumbidos da realidade.

O vácuo não precisa se recompor. 

No mais, termino eternamente com o que me pertence, uma vez que jamais poderá ser retirado do que sou.

quinta-feira, 10 de março de 2016

V




( Secret Door - Evanescence,🎧👁️)

Temos todos vidas paralelas à vida, Johannes.
Só nós sabemos sobre o culto que lideramos no mais oculto que há em cada um de nós.
Por isso, bastar-se a si mesmo é o bastante.
Não se desculpe, não se culpe, mas não se descuide...

Não sou restrita ao abecedário de planos
nanoplanos em cada plano de manifestação.
Eu estou infestada de mim e de fins, Johannes

não bastasse o fim, mais um passo, e é de novo o recomeço

Falhamos ao falar
e pensamos ao tentar
a inteligência da perfeição artificial humana
 que não pretende mais do que
encontrar os atos no silêncio da perfeição divina.

Não depende de mim 
que você compreenda, Johannes
uma alma não ocupa dois espaços
porque ela não precisa de nenhum
categorias só são utilizadas por conta de um fim...

não bastasse em mim, estende-se por tudo que jamais notei
e eu não mais me reconheço 
não bastasse o fim, mais um passo, e é de novo o recomeço
de fato, já não mais pertenço
já que não posso renascer a partir daquilo que conheço...






segunda-feira, 14 de setembro de 2015

IV



(Together Again - Evanescence) 👁️

Sergei, Sergei... somos sementes,
latente em nós estão as promessas de todos os tempos;
Eu deveria ser tudo ao qual pertenço, mas não encontro nada...
Então, anda!

Alguém escuta alguém?
Não, Sergei. Ninguém escuta ninguém,
todos ouvem apenas os motivos que os unem
Universalmente desunidos de si próprios, procuram, em contraponto, nos olhos alheios uma pista de direção que possa sanar a sede de si.
Saudade

Cada um de nós, criaturas que somos,
dançando sua própria música
no pavilhão límbico do confinamento.

Olhos vendados pelo lado de dentro
dia por dia, ao final do dia
uma vela, uma luz é apagada e uma porta é fechada em cada cômodo.

O incômodo
de uma vasta mansão que já nos foi tão familiar,
todavia, com o passar dos anos
tornou-se fragmentos de lembranças numa escura imensidão.

A perfeição é uma meta a ser seguida e não o alvo a ser alcançado, Sergei.

Quarks e léptons dançam sem categorizar o alheio.
Em meio à poeira de todos os tempos, não sabemos das estrelas supermassivas que se olham e se chocam.

Pois, uma vez mais somos e sempre nos comunicamos - unicamente - com partículas que, entrementes, jamais nos tocam.




terça-feira, 11 de agosto de 2015

III






Julio, você fechou seus olhos e seu coração.
eu sei
eu sei que a sua natureza 
Engana-te
quando pensa, sim, quando pensa...

Notívago, o púrpura dos seus sonhos
que se refugia na carapaça dos ventos
suspensos na sua garganta de nó Górdio
E se você me disser como é quando nada é
Eu direi a você como, quando nada foi


Julio, eu não me preocupo quando não procuro
você sabe
você sabe que minha natureza
Esgana-xx
enquanto tenta, sim, enquanto tenta...

E já que você sabe que nada se sabe
Não deixaremos que ninguém saiba
Que não soubemos saber
Além de à beira-rio - a paz
 o óbolo ao barqueiro sombrio.








quarta-feira, 8 de abril de 2015

II




Ah... Maximiliano, por que choraminga por migalhas do destino?  Ah, sim... você nada em um mar de nada no meio do nada.
Anda...!

Vê que, assim como Eustáquio, eu não travo briga por um pedaço de osso.
E talvez você se importe com o fato de eu não me importar, porém de antemão aviso que nada disso me interessa.

A questão é que mesmo sob as condições necessárias e tempo de florir, não me dou com estufas.
Minhas raízes não tomam o chão, não estou confinada à me prender ao solo, firmar, crescer e dar frutos. Rupícola que sou, tenho muito à escalar com raízes ao vento. 

E é por isso que meus sonhos não se firmam aos seus, e é por isso que suas palavras são apenas melodias apreciáveis trazidas e levadas pelo vento, pelo tempo...

E se outra se insinua, que juntos se insinuem, por favor.
Perceba que muito me cansa o caráter mole e os olhos de lesma que passam deixando rastro.
Por isso não te canses, meu querido, ao planejar o escondido. 

De fato, o fato é que o que lhe dá mais prazer é o ato de fazer-se de mascarado escondendo de ti mesmo a percepção de que não me interessa, nem um pouco, esse seu carnaval. 
Amores consagrados têm sido batizados a cada esquina.

Muito me cansam, muito me cansa, já que o que aspiro é o que me inspira
E o que não me inspira em mim não permanece, nutriente não essencial
A sua falta não é meu mal

Cada vez que meus olhos piscam veem mais significado do que onde você vê beleza
Tenho muito o que fazer e não há tempo para procurar por confiança
Só não saberei lhe dizer se é no meu ou no seu habitat que se extinguiu tal proeza.

                                                             -*-




                       C/ Merlot.