''Costela esquerda''
(depois eu volto e termino)
porque terminou
Eu não me ocupo me culpando
E nem lhe culpo ocultando
o fato de que o fado, definitivamente, nunca deixa de ser
por falha nossa, por não ter sido suficiente, por não ter ido em frente, não, Julio, nada disso faz sentido, pois, depois veremos muito claro: tudo isso não passa de conjecturas dos cantos de uma mente.
O que não foi jamais deixará de ser, isso porque só deixa de ser aquilo que um dia foi. E nós não somos. Nós nunca fomos, senão, ingênuos.
Deixa mesmo, deixa estar, que bom que se deixou, porquanto cada um no leito de destino se deitou.
Tudo passará, num silêncio intransponível,
como tem passado
Assim, como tem passado a vida, dia por dia, em cada uma das conquistas que ontem tanto almejamos e que hoje, depois de tudo, não traduz nem menos da metade do que somos por inteiro dessa sede insaciável revelada na calada da noite, quando estamos a sós, sim, quando estamos sozinhos bem dentro de nós, velados por um (ainda que proscrito e inadmissível) descontentamento que bem baixinho... bem baixinho, sussurra e caminha pelos cantos dos recônditos indivisíveis de nossa alma.
Cantos do nossos poetas, semântica das nossas poesias.
A mim
me parece
em nada
lhe reconheço
,
Sua face, seu timbre, o contorno do seu corpo, sua altura, sua forma de falar, seu olhar, nada, nada reconheço. Um estranho para mim, salvo seu nome.
Seu nome, seu nome que me é tão familiar, diluiu-se em quem eu sou, o único caminho que me leva até seu nome é a melodia da canção de Jobim, cujo título rima com hipnotiza.
Mas, lembrei que nem mesmo meu nome eu lhe dei. E, ainda assim, seu nome continua em mim.
Antes de levarmos o óbolo ao barqueiro,
pitonisa.
Das lembranças de Elisa.
Que também soou
Eu
Ada,
Temos colocado tanto de nosso tempo ao querermos mostrar ao mundo o porquê de vivermos aquilo que temos escolhido acreditar que deixamos de vivê-la, por viver para justificar. Aos olhos dos outros, seja por registros, por imagens sem o brilho do que é verdadeiramente espontâneo, palavras, discussões e explicações, justificações que diante da magnitude vida, não são nada, não há o que provar, são em vão... como esta que lhe escrevo.
Como muros que cercam uma casa (que se esquivou de ser casa) para concentrar todas suas energias no muro, cansados ficamos e cansados estamos. Pois, temos escoado todo nosso ânimo na expectativa de montar um mural que justifique para nós (pelo critério ilusório de que quantos mais olhos verem e pessoas souberem quem somos e o temos feito, mais seremos), como que se fosse prova cabal de quem somos.
Váquet, Ada...
Quanto mais olhos olharem, quanto mais ouvidos escutarem, menos é, uma vez que isso mais se dissolverá entre as realidades de cada um, seremos devorados e dispersados, dissolvidos num oceano sem fim de expectativas, projeções e frustrações alheias.
Então, COMO não haveríamos de estar cansados e sem tempo para vivermos nossa vida? COMO haveríamos de ter autodomínio e ânimo.para cumprir nossos objetivos se tudo, (não há limites) todos e qualquer possuem deliberadamente o direito de desfrutar, saber, e até mesmo achar que possuem a liberdade de acompanhar, compartilhar conosco particularidades de nossa vida? O que mais é só nosso? E que por estar nos limites do nosso Sagrado Particular é nossa maior fonte de inspiração, ânimo e objetivo cotidiano de vida? Ava... não há limite.
Ada,
São exatamente esses limites que delineiam quem somos e que nos permite ter ânimo e viver plenamente sentindo o significado em nossas vidas.
🧚♂️✨
Deixe que as coisas aconteçam da forma como tem de acontecer, Arminka
Libertar ainda é uma maneira de permanecermos em nós mesmos,
não somos o centro de tudo
Mesmo quando fomos firmes contra a maré estávamos cercados pelas encostas dos nossos sonhos.
Arminka, por que insistimos em procurar por aquilo que sabemos que irá machucar nossos olhos ardendo nossa alma?
Você sabe quem tem nos rondado?
Sim, sabemos já
não é senão a raiz oculta cujos olhos espreitam sob a escuridão das nossas próprias sombras
sobe rastejando em forma espiral contornando-nos dos pés à cabeça, cercando nossos pensamentos
Quem melhor conheceria os limites da nossa própria consciência acerca de nós mesmos?
Incessantes vozes falantes geradas pelos rastros enfurecidamente dopaminérgicos deixados no sistema límbico em nós